Em Campo Grande, o deputado federal Carlos Marun (PMDB), presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência (PEC 287/16), garantiu aos sindicalistas de Mato Grosso do Sul que recebeu em seu escritório nesta segunda-feira (3) que o texto original terá mudanças e não será votado como chegou.

Após quase duas horas de reunião fechada e ânimos exaltados, o deputado garantiu as mudanças, mas não quis pontuá-las. “Vamos conversar na Comissão e definir. Existem várias propostas do país inteiro e vamos estudar como colocá-las no texto”, disse.

O projeto, com alterações, deverá ser encaminhado na semana que vem ao plenário para análise e aprovado em maio, mesmo mês que será encaminhado ao Senado.

Mulheres e professores

Presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), Roberto Botareli disse que foi defendido no encontro que as categorias não devem ser tratadas da mesma maneira no texto. “Os professores mantém uma rotina diferenciada e não podem ficar com as mesmas mudanças no projeto”.

Outro ponto debatido foi a dupla e tripla jornada das mulheres. “Em média, até 70% dos brasileiros recebem dois salários mínimos. A mulher trabalha às vezes o dia todo fora, tem que cuidar dos filhos e limpeza da casa. Não é todo mundo que pode pagar por babá e faxina, então a mulher com certeza trabalha mais e não pode ter seu tempo de serviço igualado ao dos homens”.

Responsável pelo Comitê Estadual da Reforma da Previdência, Elzio Vargas disse que as categorias pediram que a CPI do Senado sobre a previdência seja aguardada para apresentação do projeto.

Marun disse que o pedido não será atendido. “Não tem sentido, o projeto vai tramitar independentemente disso. Se algum novo dado ou número aparecer, a gente pode adequar. Mas o fato é que existe um rombo na previdência e temos que resolvê-lo”.

Ao fim, ficou acordado que as categorias apresentem as sugestões por escrito ao deputado, para que ele as leve a Brasília para análise e discussão na comissão.