Dando continuidade à luta contra a terceirização, as reformas da previdência e a trabalhista, os movimentos sindicais, sociais e as centrais, que compõe o Comitê Estadual Contra a Reforma da Previdência, trancaram as principais rodovias de Mato Grosso do Sul, desde às 7h30, desta sexta-feira (31).

A ação ocorre com o auxílio de trabalhadores em educação e sindicalistas dos estados do Paraná e Mato Grosso. O movimento faz parte de um dia de mobilização nacional tirado pelas centrais sindicais brasileiras, em preparação a Greve Geral que acontecerá no próximo dia 28 de Abril.

De acordo com o presidente da FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), Roberto Magno Botareli Cesar, a ideia é deixar claro para o país todo que ou param os retrocessos ou a classe trabalhadora vai parar o Brasil. “Quem move este país são os trabalhadores do campo e da cidade, desde a construção civil, a educação, aos correios, aos comércios, a agricultura familiar e assim por diante, portanto precisamos sim chamar a atenção da sociedade que estas reformas vão atingir em cheio a classe trabalhadora e principalmente as novas gerações. Se essas reformas passarem o Brasil será o país da mão de obra barata, terceirizada, que trabalha até a morte, para enriquecer uma elite exploradora. Nós não vamos pagar as contas e queremos os nossos direitos respeitados”, explicou.

De acordo com o presidente da APP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná), Hermes Leão, que está presente na ação em Mundo Novo, que faz divisa com o Paraná, a mobilização desta sexta-feira cumpre um papel importantíssimo que vai desde recordar que está data marca os 53 anos do Golpe Militar no Brasil, que mergulhou o país em 20 de atraso em todos os aspectos, principalmente na democracia e que com essa simbologia os trabalhadores de todo o país voltam as ruas para denunciar um novo golpe, só que agora vai além da democracia ferida e atinge em cheio os direitos trabalhistas. “Um governo ilegítimo está atacando as nossas conquistas e essa data não poderia passar em branco, pois estamos retrocedendo aos tempos da Ditadura brasileira e por isso estamos aqui em MS, somando forças e mostrando que vamos sim, mais uma vez, lutar pelo que é nosso, pelo que conquistamos com muita batalha e vendo muitas vidas serem levadas inclusive”, ressaltou.

Já o presidente do SINTEP (Sindicado dos trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso), Henrique Lopes Nascimento, que está participando da ação em Sonora, divisa com o MT, afirmou que o dia 31 será histórico na luta dos trabalhadores. “Hoje damos início as ações que culminaram em uma grande Greve Geral no dia 28 e com certeza a união da classe trabalhadora é de suma importância para este momento e nós não vamos nos unir apenas em nossos estados, vamos nos unir como estamos fazendo hoje em MS, vamos mostrar que a classe trabalhadora brasileira junta é mais forte e vai barrar os retrocessos e a retirada de direitos imposta pelo Governo ilegítimo de Michel Temer”, afirmou.

Para o coordenador estadual do Comitê Contra a Reforma da Previdência de Mato Grosso do Sul, Élvio Vargas, que também é dirigente do Sinergia (Sindicato dos Eletricitários de Mato Grosso do Sul), que está presente na mobilização, este dia 31, data simbólica, é só um início do que virá no dia 28. “Vamos para o MS e o Brasil todo todas as vezes que os nossos direitos estiverem ameaçados, já estamos há semanas mostrando isso, fizemos grandes ações no último dia 15, montamos o acampamento da resistência na frente da casa do deputado Marun, paramos o transporte público, fizemos outras ações com os parlamentares federais, ocupamos as ruas de CG com 20 mil pessoas, ocupamos o Aeroporto Internacional e vamos continuar nesse mesmo ritmo até construirmos a maior Greve Geral que este Estado e este país já viram nos últimos anos”, enfatizou.

Os movimentos de luta pela terra também fazem parte das ações em todo o Estado e segundo, Marina Ricardo Nunes, dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores em Educação, o campo não poderia ficar fora desta movimentação já que os trabalhadores e principalmente as trabalhadoras rurais serão as mais atingidas com as reformas. “Vai faltar comida na mesa dos brasileiros se o trabalhador do campo tiver que trabalhar até os 65 anos, se a idade entre homens e mulheres se igualar e se ele tiver que contribuir além do que já contribui com os impostos da produção para se aposentar. Temos certeza que haverá um êxodo rural enorme, isso irá enfraquecer a agricultura familiar, que consequentemente não produzirá o suficiente para abastecer o país. A sociedade precisa entender que a comida da sua mesa é produzida por nós e não pelos grandes produtores que atuam na área da exportação da soja, do Boi e da Cana”, conclui.

A mobilização acontece em oito localidades e os manifestantes estão parando o fluxo por cerca de meia hora, fazem uma grande panfletagem, liberam as estradas e depois paralisam novamente, em uma ação de conscientização. Confira os pontos:

SONORA

O fechamento se dará na BR-163 a 10 KM antes da divisa com o estado de MT;

MUNDO NOVO

O fechamento ocorrerá na BR-163 no Papagaio aproximadamente a 2 KM da dívida com o PR;

TRÊS LAGOAS

O fechamento será feito na BR-262 na rotatória que dá acesso à ponte da divisa com SP;

CORUMBA

O bloqueio será feito na BR-262 no antigo pedágio que dá acesso à Bolívia;

APARECIDA DO TABOADO

O fechamento se dará na BR-158 no trevo que antecede a ponte rodoferroviária que dá acesso à Santa Fé estado de SP;

BATAGUASSU

O bloqueio será feito NA BR-267 no Porto XV.

JARDIM

O fechamento será na BR-267, no cruzamento da BR com a saída para Guia Lopes.

SIDROLÂNDIA

O bloqueio será na BR-060. Divisa entre Campo Grande e Sidrolândia.

Ações em Campo Grande

O Comitê também realizará ações durante todo o dia na capital do Estado, com o intuito de somar na mobilização e conscientizar a população:

Ato com os trabalhadores da Construção Civil – 6h

Local: MRG Antiga Furnas (Lado direito do Shopping)

Ato com os trabalhadores bancários – 9h

Local: Bradesco/Itaú (Rua Cândido Mariano c/ a 13)

Ato com os trabalhadores e acadêmicos da UFMS – 15h

Local: UFMS (Bloco próximo aos bancos)

Sarau cultural contra os retrocessos do Governo Temer – 17h

Local: UFMS

Karina Vilas Boas – FETEMS